
A importância de um acompanhamento personalizado para a conquista dos resultados esperados
A Personalização da Terapia Canabinoide foi tema do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal em São Paulo, com a doutora Carolina Nocetti. Com uma abordagem incisiva e embasada em anos de pesquisa e prática clínica, Dra. Nocetti destacou a importância crucial de adaptar o tratamento canabinoide às necessidades individuais de cada paciente. Em um cenário onde a cannabis medicinal emerge como uma poderosa ferramenta terapêutica, a palestra de Nocetti ofereceu um olhar perspicaz sobre como a personalização da terapia pode otimizar os benefícios terapêuticos e minimizar os efeitos adversos.
´Cannabis não é milagre. É preciso combinar uma série de outras práticas de bem viver, ou seja, uma combinação de outras ferramentas terapêuticas e mudança de hábito para que os resultados sejam efetivos. Isso inclui qualidade do sono, cuidados na alimentação, prática de exercícios físicos, entre outras mudanças. Para isso, além da correta prescrição médica, é importante o apoio de uma equipe multidisciplinar que vai orientar o paciente na conquista desses novos hábitos, o que interfere muito no resultado. Não existe um padrão de prescrição, cada paciente tem sua dose ideal e isso só se observa com o acompanhamento terapêutico personalizado´, pontua Nocetti, médica com dedicação em educação, prática clínica, advocacy e consultoria técnica em projetos nacionais e internacionais.
A conexão dos compostos da planta acontece de forma individualizada através do sistema endocanabinoide de cada paciente, por isso, a personalização da terapia canabinoide é necessária para o tratamento. Pesquisas recentes indicam que essa personalização pode maximizar os benefícios terapêuticos e minimizar efeitos adversos.
Através de exames genéticos e metabólicos, é possível determinar qual combinação de canabinoides – como o THC e o CBD – é mais eficaz para cada indivíduo. Isso permite um tratamento mais eficaz e seguro para condições como dor crônica, ansiedade, depressão e até mesmo câncer.
´Hoje temos a cannabis no SUS de SP, porém para patologias específicas, mas temos muito que avançar em termos de acessibilidade para outras doenças e sintomas, como por exemplo para insônia e ansiedade, que são condições que acometem milhares de brasileiros. Em muitos países do mundo esse tipo de prescrição já é autorizada´, defende Dra. Carolina.
Novas Fronteiras no Tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), TOD e TDAH
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição complexa e multifacetada, caracterizada por desafios na comunicação, comportamento e interação social. Estudos recentes sugerem que a cannabis, particularmente o CBD, pode oferecer benefícios significativos para indivíduos com TEA.
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é outra condição neuropsiquiátrica caracterizada por sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade. O TDAH é comumente tratado com medicamentos estimulantes, mas que podem causar efeitos colaterais significativos, como insônia, perda de apetite e aumento da ansiedade.
´O que explica o aumento do diagnóstico dessas doenças é o acesso à informação e uma maior quantidade de pesquisas. Porém, é preciso estar atento ao diagnóstico, pois muitas vezes a criança apresenta hábitos na vida cotidiana, entre eles o uso excessivo de telas, que podem desencadear sintomas que levam a pensar que se trata de alguma patologia, como TEA e TDAH´, Sandra Serrano Caries, Pediatra e Neurologista Infantil com área de atuação em Dor e Cuidados Paliativos, pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Pesquisas preliminares indicam que a cannabis pode ajudar a reduzir a ansiedade, melhorar a qualidade do sono e diminuir comportamentos agressivos ou autolesivos, e por isso, tem sido explorada como uma alternativa potencialmente mais segura para o tratamento do TDAH, TEA e TOD. Estudos indicam que o CBD pode ajudar a melhorar a atenção e reduzir a impulsividade sem os efeitos colaterais negativos associados aos estimulantes tradicionais.
´Lembrando que mesmo diante dos efeitos positivos da cannabis para essas patologias é preciso estar atento às reações adversas, pensando que as crianças estão em desenvolvimento, por isso cuidado com o THC. Além disso, pensar em todas as ferramentas terapêuticas que dão suporte ao tratamento e no acompanhamento personalizado em parceria com os pais. É um compromisso da família com a criança e com o tratamento´, reforça Dra. Sandra.
Inovação no Tratamento de Doenças Degenerativas
Parkinson, Alzheimer e esclerose múltipla estão entre as degenerativas que mais apresentam resultados positivos a partir do tratamento com cannabis
´Quando envelhecemos existe um processo de neurodegeneração e neuroinflamação que é normal e comum em pessoas que envelhecem de forma saudável. Porém, a cannabis com seus compostos químicos ajuda a modular o sistema endocannabinoide e com isso, a retardar os fatores de envelhecimento´, explica Dr. Francisney Nascimento, Farmacêutico e Doutor em Farmacologia.
A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva. Pesquisas indicam que o CBD possui propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias que podem ser benéficas no tratamento do Alzheimer, reduzindo a neuroinflamação e a neurodegeneração, dois fatores críticos na progressão da doença. Além disso, o THC, quando administrado em doses controladas, pode ajudar a melhorar a agitação e a perda de apetite, sintomas comuns em pacientes com Alzheimer.
´Realizamos uma pesquisa com microdoses de cannabis para o tratamento de Alzheimer. O resultado mostrou que a Cannabis incrementa o score do mini mental em comparação com o placebo após seis meses. Tivemos poucos efeitos adversos, inclusive quando comparado ao efeito placebo, o que demonstra segurança no tratamento´, revela professor Francisney Nascimento.
A doença de Parkinson é caracterizada pela degeneração progressiva de neurônios dopaminérgicos. A doença leva a sintomas motores como tremores, rigidez e bradicinesia, além de sintomas não motores como depressão e distúrbios do sono.
O CBD tem sido estudado por suas propriedades neuroprotetoras e pela capacidade de melhorar a qualidade de vida dos pacientes com Parkinson. Pesquisas indicam que o CBD pode reduzir a inflamação cerebral e o estresse oxidativo, fatores que contribuem para a degeneração neuronal. Além disso, o uso de cannabis pode ajudar a aliviar a rigidez muscular e melhorar a qualidade do sono.
O deputado Eduardo Suplicy, que está usando o óleo de cannabis para o tratamento de Parkinson, já apresenta resultados efetivos, como realização de atividades motoras cotidianas sem apresentar muito tremor.
A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune que ataca a mielina, a camada protetora dos nervos, levando a uma variedade de sintomas neurológicos. A cannabis tem mostrado eficácia na redução da espasticidade e da dor associadas à esclerose múltipla, com efeitos imunomoduladores, ajudando a reduzir a frequência e a severidade dos surtos de EM.
´Fazer uma suplementação da cannabis a partir dos 40 anos se apresenta como uma excelente opção para prevenir os efeitos do envelhecimento , finaliza o professor Francisney.
Fonte: https://sechat.com.br/noticia/o-avanco-da-terapia-canabinoide-para-o-tratamento-de-doencas-complexas