
Na tarde desta sexta - feira (08), o advogado da Associação de Apoio e Tratamento com Canabinoides (AATAMED), Leonardo Alves, acompanhou o evento "Saúde em Foco: TEA - Diagnóstico, Tratamento e seus impactos na Judicialização", promovido pela Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE), no CAB. O evento teve como objetivo discutir as principais questões relacionadas ao tratamento de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), reunindo um público multidisciplinar, incluindo procuradores do Estado, advogados, médicos e psicólogos.
Demandas crescentes e desafios no atendimento
A dinâmcia começou com a apresentação da responsável pelo Planserv, que abordou o aumento significativo de demandas relacionadas ao fornecimento de medicações e tratamentos terapêuticos para pacientes com TEA. Ela destacou a dificuldade do Estado em ampliar sua rede credenciada, devido à escassez de especialistas e à complexidade do tratamento de autistas. A responsável ainda mencionou as dificuldades de contratar profissionais especializados para suprir a demanda crescente, o que tem gerado um impacto considerável nos atendimentos.
Vivência pessoal e profissional no diagnóstico do TEA
A psicopedagoga Polyana Rolim também compartilhou sua experiência no diagnóstico de pacientes dentro do espectro autista. Ela destacou a relevância de uma abordagem multidisciplinar no acompanhamento desses pacientes, além de compartilhar sua vivência pessoal como mãe de um jovem autista. A experiência de Polyana refletiu as dificuldades emocionais e práticas enfrentadas pelas famílias ao lidar com a escassez de profissionais qualificados e o atraso no diagnóstico precoce, um fator essencial para o sucesso do tratamento.
Desafios na Judicialização e a falta de neuropediatras
A Procuradora Chefe do Grupo Intersetorial de Demanda de Saúde, Dra. Maria Clara Lujan, presidiu o evento e coordenou uma sessão de perguntas e respostas, onde os participantes puderam relatar suas experiências e compartilhar as dificuldades enfrentadas no atendimento aos pacientes autistas. Um dos principais pontos abordados foi a falta de neuropediatras no Estado, o que tem dificultado o diagnóstico adequado e o acompanhamento médico dos pacientes com TEA. Além disso, foram discutidos os impactos da judicialização, com muitas famílias recorrendo ao sistema judiciário para garantir o fornecimento de tratamentos e medicações específicas.
O Desafio do SUS no atendimento ao TEA
Por fim, a atividade também discutiu os desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento a pacientes com TEA. A escassez de recursos e a falta de estrutura para um atendimento especializado e contínuo foram apontadas como barreiras significativas no cuidado a essas crianças e adultos. O SUS, apesar de ser um sistema universal, enfrenta dificuldades em atender a demanda crescente por serviços especializados, o que acaba levando muitas famílias a recorrerem à judicialização para garantir os direitos de tratamento.
O encontro foi uma oportunidade para profissionais da área de saúde e jurídica, como o advogado Leonardo Alves, trocarem experiências e fortalecerem o diálogo entre as esferas públicas e privadas, com o intuito de melhorar o atendimento a pacientes com TEA no Estado da Bahia.